Combate ao racismo e promoção da igualdade racial
Depois de 120 anos da abolição da escravidão no Brasil, comemorados no ano de 2008, praticamente metade da população do país se declara negra. E é este mesmo grupo que continua a enfrentar dificuldades em uma sociedade que historicamente a excluiu de oportunidades de ter uma vida digna. Os índices de escolaridade e renda da população negra são inferiores aos da população branca, ao passo que a pobreza é muito maior, com registros de pequenas melhoras entre 1996 e 2006. A renda dos negros não passa da metade da que recebem os brancos, situação que se acentua quando se considera os salários das mulheres negras, que não passam de 41% dos salários dos homens brancos. São muito recentes as iniciativas governamentais voltadas para a superação deste quadro de desigualdades raciais no Brasil, a maior parte delas fruto das pressões do movimento social organizado. Um dos marcos deste processo foi a criação em 2003 da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), compromisso assumido pelo Brasil ao lado de outros Estados que assinaram a declaração de Durban em 2001, no marco da III Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Intolerâncias Correlatas. A linha de trabalho da FES voltada para estas questões tem como foco o fortalecimento de gestores públicos desafiados a desenvolver as políticas de promoção da igualdade racial nos âmbitos municipal, estadual e nacional, e também se dedica a fortalecer a participação da sociedade civil nos processos políticos, com destaque para a juventude negra.